sexta-feira, 25 de abril de 2008

Queda de seus mercados faz China mudar regras para bolsas

A China lançou novas normas das bolsas de valores que dificultam a venda de grandes quantidades de ações, informou nesta segunda-feira (21) a agência oficial Xinhua. A medida tem o objetivo de conter as quedas dos mercados de Xangai e Shenzhen, que registram perdas constantes desde o começo do ano.

No momento em que seu principal indicador, o índice geral de Xangai, já perdeu 49,5% desde seu recorde histórico de outubro do ano passado, após cair na sexta-feira para sua cotação mais baixa em mais de um ano, a Comissão Reguladora da Bolsa de Valores da China (CRMV) decidiu lançar uma nova medida.

 

A partir de agora, os grandes acionistas que queiram se desfazer de mais de 1% dos valores de uma empresa terão que fazê-lo obrigatoriamente em bloco, e não de maneira aberta e separada como também era possível até o momento. O mecanismo da venda em bloco requer aos vendedores fechar acordos prévios com os compradores, impedindo que a venda afete os preços de mercado das ações da companhia.

 

''A medida serve para resistir à pressão das vendas sobre o mercado e ajudar a diminuir as preocupações dos investidores sobre o impacto das (grandes) vendas de valores(sobre os preços das ações)'', disse a CRMV em comunicado citado pelo jornal Shanghai Daily.

 

As quedas dos mercados chineses desde janeiro passado se devem ao temor dos investidores perante possíveis medidas oficiais de austeridade econômica para controlar a inflação. Além disso, há o excesso de ações no mercado em um contexto de pouca liquidez, junto ao impacto que possa ter a crise hipotecária dos Estados Unidos na economia chinesa.


21 DE ABRIL DE 2008 - 19h18


Fonte: Vermelho.org (http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=36376)

Sistema alimentar na era pós-petroleira

Há 33 países hoje à beira da instabilidade social devido à falta e ao preço dos alimentos. Essa crise que ameaça a segurança alimentar de milhões de pessoas é o resultado direto do atual modelo industrial de agricultura dependente do petróleo.

A agricultura mundial está numa encruzilhada. A economia global impõe demandas conflitantes sobre os 1,5 bilhão de hectares cultivados. Não só se pede à terra agrícola que produza alimento suficiente para uma população crescente, mas também que produza biocombustíveis, e que faça isso de um modo que seja saudável para o meio ambiente, preservando a biodiversidade e diminuindo a emissão de gases de efeito estufa, e que, ainda, seja uma atividade economicamente viável para os agricultores.

Essas pressões estão desencadeando uma crise sem precedentes no sistema alimentar global, que já começa a se manifestar em protestos por escassez de alimentos em muitos países da Ásia e da África. De fato, há 33 países à beira da instabilidade social devido à falta e ao preço dos alimentos. Essa crise que ameaça a segurança alimentar de milhões de pessoas é o resultado direto do modelo industrial de agricultura, que não só é perigosamente dependente de hidrocarburos, mas tem, ainda, se tornado a maior força antrópica modificadora da biosfera. As crescentes pressões sobre a área agrícola —que está se reduzindo— estão minando a capacidade da natureza de suprir as demandas da humanidade quanto a alimentos, fibras e energia. A tragédia é que a população humana depende dos serviços ecológicos (ciclos de água, polinizadores, solos férteis, clima local benevolente, etc.) que a agricultura intensiva continuamente empurra para além de seus limites.

Antes do fim da primeira década do século XXI, a humanidade está tomando consciência rapidamente de que o modelo industrial capitalista de agricultura dependente de petróleo não mais funciona para suprir os alimentos necessários. Os preços inflacionários do petróleo inevitavelmente aumentam os custos de produção e os preços dos alimentos subiram a tal ponto que hoje um dólar compra 30% menos alimento do que há um ano. Uma pessoa na Nigéria gasta 73% da sua renda em alimento, no Vietnã 65% e na Indonésia 50%. Essa situação está piorando rapidamente, na medida em que a terra agrícola vai sendo destinada para biocombustíveis e na medida em que a mudança climática afeta o rendimento da terra pelas estiagens ou inundações.

Expandir terras agrícolas destinadas a biocombustíveis ou cultivos transgênicos, que já tomam 120 milhões de hectares, vai exacerbar os impactos ecológicos de monocultivos que continuamente degradam os serviços da natureza. Além disso, a agricultura industrial hoje contribui com mais de 1/3 das emissões globais de gases de efeito estufa, especialmente metano e óxidos nitrosos. Continuar com esse sistema degradante, como promove um sistema econômico neoliberal, ecologicamente desonesto por não refletir as externalidades ambientais não é uma opção viável.

O desafio imediato de nossa geração é transformar a agricultura industrial e iniciar uma transição dos sistemas alimentares para que não dependam de petróleo.

Precisamos de um paradigma alternativo de desenvolvimento agrícola, que propicie formas de agricultura ecológica, sustentável e socialmente justa. Redesenhar o sistema alimentar para formas mais eqüitativas e viáveis para agricultores e consumidores vai requerer mudanças radicais nas forças políticas e econômicas que determinam o que vai ser produzido, como, onde e para quem. O livre comércio sem controle social é o principal mecanismo que está expulsando os agricultores de suas terras e é o principal obstáculo para alcançar desenvolvimento e uma segurança alimentar local. Só desafiando o controle que as empresas multinacionais exercem sobre o sistema alimentar e o modelo agroexportador patrocinado pelos governos neoliberais será possível deter a espiral de pobreza, fome, migração rural e degradação ambiental.

O conceito de soberania alimentar, tal como é promovido pelo movimento mundial de pequenos agricultores, a Via Campesina, constitui a única alternativa viável para o sistema alimentar em colapso, que simplesmente falhou em seu cálculo de que o livre comércio internacional seria a chave para solucionar o problema alimentar mundial. Pelo contrário, a soberania alimentar enfatiza circuitos locais de produção-consumo e ações organizadas para obter acesso à terra, água, agrobiodiversidade, etc., recursos fundamentais que as comunidades rurais devem controlar para conseguir produzir alimentos com métodos agroecológicos.

Não há duvida que uma aliança entre agricultores e consumidores é de importância estratégica. Ao mesmo tempo que os consumidores devem descer na cadeia alimentar ao consumir menos proteína animal, precisam tomar consciência de que sua qualidade de vida está intimamente associada ao tipo de agricultura que é praticada nos cordões verdes que circundam povoados e cidades, não só pelo tipo e qualidade de cultivos que aí são produzidos, mas pelos serviços ambientais, como qualidade da água, microclima e conservação da biodiversidade, etc., que esta agricultura multifuncional proporciona.

Mas a multifuncionalidade só emerge quando as paisagens estão dominadas por centenas de sítios pequenos e biodiversos, que, como os estudiosos demonstram, podem produzir entre duas e dez vezes mais por unidade de área do que as fazendas de grande escala. Nos Estados Unidos os agricultores sustentáveis, em sua maioria pequenos e médios agricultores, geram uma produção total maior que os monocultivos extensivos, e fazem isso reduzindo a erosão e conservando melhor a biodiversidade. As comunidades rodeadas por pequenos sítios apresentam menos problemas sociais (alcoolismo, drogadição, violência familiar, etc.) e economias mais saudáveis que comunidades rodeadas por fazendas grandes e mecanizadas. 

No estado de São Paulo, no Brasil, cidades rodeadas por grandes extensões de cana-de-açúcar são mais quentes do que cidades rodeadas por propriedades médias e diversificadas. Deveria ser óbvio, então, para os consumidores urbanos, que comer constitui ao mesmo tempo um ato ecológico e político, pois ao comprar alimentos em mercados locais ou feiras de agricultores, há um retorno a um modelo de agricultura adequada para a era pós-petroleira, enquanto ao comprar nas grandes redes de supermercados, perpetua-se o modelo agrícola não sustentável.

A escala e urgência do desafio que a humanidade enfrenta é sem precedentes e o que é preciso fazer é ambiental, social e politicamente possível. Erradicar a pobreza e a fome mundial requer um investimento anual de aproximadamente 50 bilhões de dólares, uma fração se comparado com o orçamento militar mundial, que chega a mais de um trilhão de dólares por ano. A velocidade com que essa mudança deve ser implementada é muito rápida, mas o que está em questão é se existe realmente vontade política de transformar radical e velozmente o sistema alimentar, antes que a fome e a insegurança alimentar alcancem proporções planetárias irreversíveis. 

Miguel A. Altieri é professor na Universidade da Califórnia (Berkeley) e membro da Sociedade Científica Latino-americana de Agroecologia (SOCLA)

TraduçãoNaila Freitas / Verso Tradutores

Fonte: Agência Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14955)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Rendimento médio real do trabalhador cai 0,6% no mês em março, mostra IBGE

RIO - O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores equivaleu a R$ 1.188,90 em março, com redução de 0,6% ante fevereiro, mas elevação de 2% na comparação com o terceiro mês de 2007.

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostrou que, entre as seis regiões metropolitanas investigadas, houve retração na renda em Recife (-4,3%), Salvador (-3,1%) e São Paulo (-1,9%) e estabilidade em Porto Alegre na passagem de fevereiro para março.

Frente a março do ano passado, viu-se recuperação na renda em Salvador (5,8%), Belo Horizonte (8,2%), Rio de Janeiro (0,4%), São Paulo (0,8%) e Porto Alegre (5,6%). Exceção, Recife registrou queda de 0,9% no rendimento.

Na base mensal, os trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado verificaram recuo de 0,1% no rendimento médio, para R$ 1.138,50. Os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram rendimento médio de R$ 758,90, com decréscimo de 6,1%. Os trabalhadores por conta própria acabaram com a renda 4,4% maior, de R$ 1.013,50. Militares ou funcionários públicos verificaram declínio de 3,3% no rendimento médio, para R$ 2.016,90.

No confronto com março de 2007, o rendimento dos trabalhadores com carteira assinada subiu 0,2%. Os trabalhadores sem carteira ficaram com renda 1,5% mais elevada e os trabalhadores por conta própria verificaram aumento de 3,4%. Os militares e servidores públicos notaram, porém, renda 0,3% mais enxuta.

(Valor Online)

Fonte: UOL Economia (http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2008/04/24/ult1913u87431.jhtm)

Desemprego de 8,6% em março é o menor para o mês desde 2002

24/04/2008 - 09h47

RIO - A taxa de desemprego nacional marcou 8,6% da população economicamente ativa (PEA) em março, com ligeira queda em relação a fevereiro (8,7%) e inferior aos 10,1% registrados no terceiro mês de 2007. Os números (veja gráfico no fim deste texto) são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este é o menor nível para o mês de março desde o início da nova metodologia usada pelo IBGE, que iniciou-se em 2002.

Na avaliação do organismo, o nível de desocupação ficou estável na comparação com o segundo mês deste calendário, "já que a variação de -0,1 ponto percentual não é considerada estatisticamente significativa".

O contingente de desocupados nas seis regiões pesquisadas ficou estável no confronto com fevereiro, mas diminuiu 14,1% em relação a março do ano passado."No âmbito regional, esta estimativa não apresentou movimentação em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2007, houve quedas nas Regiões Metropolitanas de Recife (20,6%), Belo Horizonte (14,1%), São Paulo (16,7%) e Porto Alegre (13,2%)", informou o organismo em nota.

Conforme a pesquisa, o total de pessoas ocupadas ficou em 21,3 milhões, sem variação ante fevereiro. Perante março de 2007, contudo, houve ampliação de 3,5%, o que implica a criação de 713 mil vagas.

Fonte: UOL Economia (http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2008/04/24/ult1913u87428.jhtm)

Especuladores têm participação na crise dos alimentos, diz "Der Spiegel"

Uma reportagem do jornal alemão "Der Spiegel" desta quinta-feira traz uma análise sobre o papel da especulação no aumento dos preços dos alimentos, o que culminou em uma crise mundial.O texto na íntegra pode ser lido em português por assinantes do UOL.Segundo a publicação, há uma enorme quantidade de dinheiro sendo investida no mercado global de commodities, fator que tem sido responsável por elevar o preço de produtos básicos na alimentação humana, como o trigo e o arroz.Assim, além de biocombustíveis, o jornal sugere que entre no centro das discussões o papel que os fundos e os pequenos investidores têm na recente crise alimentar."Não apenas comenta-se que os investidores lucraram com a fome desesperada em Honduras, Filipinas e Bangladesh; os críticos também se perguntam se os especuladores de commodities estão agravando a crise", diz a reportagem.Além disso, com o milho sendo utilizado para produzir etanol nos Estados Unidos, e as plantações de arroz e trigo sendo arruinadas pelas secas na Austrália, as reservas mundiais de trigo têm condições de suprir a demanda do produto por apenas mais 60 dias. Por isso, é possível entender o motivo pelo qual desde 2006 o preço do arroz subiu 217%, o do trigo, 136%, do milho, 125% e da soja, 107%.

Fonte: UOL Economia

BC vê alta da renda e do crédito como riscos para inflação e promete 'prudência'

O Banco Central vê o avanço da renda e do crédito no país como fatores que impulsionam a demanda, podendo causar aumento da inflação. A instituição afirma que, por isso, continuará atuando com "prudência". As afirmações estão presentes na ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. No encontro, realizado em 15 e 16 de abril, a entidade decidiu elevar de 11,25% ao ano para 11,75% a taxa básica de juros.
"O ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentado, entre outros fatores, pelas transferências fiscais e pelo crescimento da renda e do crédito, continua colocando riscos para a dinâmica inflacionária", diz a ata. Os sinais de aquecimento da atividade alimentam o risco para "a concretização de um cenário inflacionário benigno".Para o Copom, "a persistência de descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas tende a aumentar o risco para a dinâmica inflacionária".PrudênciaQuando o BC elevou a taxa de juros para 11,75% ao ano, na reunião do dia 16, emitiu nota afirmando que estava fazendo já em abril "parte relevante" do ajuste, o que contribuiria para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado.A afirmação foi confirmada na ata: "A atuação da política monetária tende a ser mais efetiva, atingindo seus objetivos com maior rapidez, quando a deterioração da dinâmica inflacionária está em seus estágios iniciais, do que quando esta se encontra consolidada".Segundo a instituição, "a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes".Nas últimas semanas, as expectativas de inflação do mercado para este ano e o próximo vêm aumentando, inclusive superando o centro da meta de 2008. A inflação corrente também vem se mantendo pressionada, mas sobretudo devido a fatores sazonais e aumentos de alimentos."Visando consolidar um ambiente de estabilidade e previsibilidade, o Copom adota uma estratégia que procura evitar uma trajetória inflacionária volátil. (...) A prudência passa a ter papel ainda mais importante, nesse processo", acrescentou o documento.O comitê ressaltou que seus movimentos terão impacto sobretudo no segundo semestre deste ano e em 2009.

(Com informações da Reuters)

Fonte: UOL Economia

terça-feira, 22 de abril de 2008

Cepal reajusta para 4,8% a previsão de crescimento para o Brasil em 2008

Santiago do Chile, 22 abr (EFE).- A Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), reajustou de 5,4% para 4,8%, sua previsão de crescimento para o Brasil em 2008, por causa da crise dos Estados Unidos.

A projeção de crescimento das economias latino-americanas "foi ajustada um ponto abaixo por causa do impacto da crise externa", declarou em entrevista coletiva o secretário-executivo do organismo, José Luis Machinea.

"Os Estados Unidos estão entrando em uma recessão e há dúvidas sobre a validade e o tempo da política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central americano)", afirmou o economista argentino, acrescentando que a maioria dos países da região "terá um crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB) inferior ao esperado".

Machinea disse, no entanto, que a recessão nos EUA será "suave" e, dessa forma, o impacto na América Latina "não será tão grande".

Também afirmou que a economia do Brasil crescerá 4,8% ao invés de 5,4% que havia sido previsto.

No caso da Argentina, a projeção desceu de 8,7% para 7,0% afirmou José Luis Machinea. Já no México ficará em torno de 2,7%, e não 3,3% como era indicado inicialmente, enquanto a previsão do Chile diminuiu de aproximadamente 5,1% para 4,5%.

Além disso, no caso da Venezuela, a projeção caiu de 8,4% para 6,0% e no total, a previsão para a América do Sul passou de 6,7% para 5,6%.

Equador foi o único país sul-americano que teve uma correção para cima, de 2,7% para 3,0%.

Também a previsão para a zona do Caribe foi ajustada levemente para cima, de 3,9% para 4,1%.

A baixa do crescimento afetará especialmente os países mais pobres, pelo aumento no preço dos alimentos, aos países exportadores de manufaturas aos EUA e a países desenvolvidos, segundo Machinea.

A América Central será afetada por uma forte diminuição no envio de remessas.

José Luis Machinea, por outro lado, advertiu que a alta dos preços dos alimentos nos países latino-americanos aumentará a quantidade de habitantes em situação de pobreza e indigência.

Sobre os dados projetados, a respeito da indigência, correspondentes ao ano 2007, a Cepal prevê um aumento de 15% no preço dos alimentos elevará a incidência da indigência em quase três pontos, de um 12,7% para 15,9 % da população, equivalente a cerca de 15,7 milhões de latino-americanos.

No caso da pobreza, os aumentos serão parecidos já que a mesma quantidade de pessoas passaria a ser pobre, explicou Machinea.

Ele afirmou, no entanto, que se considera uma melhora de renda dos lares de 5%, "similar à média da inflação regional, na prática aproximadamente 10 milhões de pessoas passariam à indigência como conseqüência do aumento de preços".

"A alta intensa e persistente dos preços internacionais dos alimentos está castigando com especial dureza os setores mais pobres da América Latina e do Caribe, gerando um impacto distributivo regressivo", ressaltou Machinea.

O economista explicou que o aumento dos preços internacionais é um fenômeno que se acelerou nos últimos doze meses, especialmente nos casos dos preços do milho, do trigo, do arroz e das oleaginosas, altas que em alguns casos superaram 100%.

Desde o ano 2006, a inflação se acelerou na maioria das economias da região, a um ritmo anual que oscila entre o 6,0% e o 20,0% nos diferentes países, com uma média regional próximo ao 15,0 %, segundo os dados das Nações Unidas.

Em termos globais, o secretário-executivo da Cepal considerou que "se passou da euforia a uma grande incerteza".

BC inglês socorre bancos com US$ 100 bi

Folha de São Paulo - dia 22/04/08

Para aliviar crise de crédito, pacote permite que instituições financeiras troquem papéis hipotecários de alto risco por títulos públicos

Ajuda dos bancos centrais é alvo de críticas por envolver o chamado risco moral de salvar instituições que se arriscaram em excesso

DA REDAÇÃO

O Banco da Inglaterra anunciou um pacote no valor mínimo de US$ 100 bilhões (50 bilhões de libras) para socorrer o sistema financeiro britânico, em uma das intervenções mais diretas de um banco central para manter a confiança do mercado em meio à crise global de crédito. A instituição disse esperar que a injeção de recursos, a ser feita por uma operação de troca de ativos, possa aumentar a liquidez e aliviar as restrições no mercado de hipotecas, que tornaram mais caros os financiamentos imobiliários.
O pacote permite aos bancos trocarem títulos hipotecários de alto risco por títulos do governo, mais seguros e mais facilmente comercializáveis.
"Como os mercados para muitos papéis encontram-se fechados, os bancos possuem em seus balanços um "excesso" desses papéis, os quais não conseguem vender ou oferecer como garantia para levantar fundos", explicava nota divulgada pelo Banco da Inglaterra.
O presidente da instituição, Mervyn King, ressaltou que irá proceder com a operação mesmo que seja necessário dispor de mais de 50 bilhões de libras.
O plano recebeu o apoio do Tesouro britânico e da associação dos bancos, que o qualificou como "inovador" e "único".
Por outro lado, analistas disseram que, embora a medida possa produzir efeitos positivos no curto prazo, as restrições na troca de ativos poderão diminuir a demanda das instituições financeiras. Para se beneficiarem do pacote, os bancos terão de oferecer ao Banco da Inglaterra ativos de valor significativamente maior do que os títulos do governo.
"Isso não sanará os males já provocados à economia", afirmou Alan Clarke, economista do BNP Paribas. "Talvez consiga apenas impedir que as coisas fiquem ainda piores."
O plano anunciado ontem vem na seqüência de outras iniciativas do Banco da Inglaterra para enfrentar o impacto da crise de crédito. Desde dezembro, a instituição cortou a taxa de juros três vezes, de 5,75% para 5%, e forneceu liquidez de emergência para os bancos.
Em fevereiro, o governo do Reino Unido nacionalizou temporariamente o Northern Rock, a quinta maior instituição de financiamento do país, atingida pela crise bancária e alvo de uma corrida dos clientes às agências para saques.

Risco moral
No mês passado, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) anunciou socorro semelhante aos bancos dos EUA, com leilões semanais para instituições financeiras de até US$ 200 bilhões em títulos do Tesouro, considerados os mais seguros do mundo. Em troca, o Fed passou a aceitar como garantia até os arriscados títulos lastreados em hipotecas "subprime" (para pessoas com histórico ruim de pagamento), a origem da crise financeira.
O socorro dado aos bancos privados é alvo de críticas de economistas sobre o que chamam de "moral hazard" (risco moral) dos bancos centrais de salvarem investidores e instituições que se arriscaram em excesso em busca de lucro.

Dólar segue descolado do cenário externo e cai; no mês, baixa acumula 5,25%

22/04/2008 - 16h37

SÃO PAULO, 22 de abril (Reuters) - O dólar voltou a fechar em queda nesta terça-feira se descolando dos movimentos externos e seguindo o fluxo de entrada da divisa impulsionado pelas operações de arbitragem.


A moeda norte-americana caiu 0,48%, a R$ 1,661. Com 13 baixas em quinze sessões, o dólar já acumula desvalorização de 5,25% em abril.


Segundo Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, o mercado cambial continua mudando suas posições, desmontado suas posições compradas --que apostam em uma alta da divisa norte-americana-- passando a posições vendida.


Segundo dados da BM&F, os investidores estrangeiros mantinham no início do mês mais de US$ 4 bilhões em posições compradas, enquanto que no dia 18 estes possuiam US$ 1,3 bilhão em posições vendidas.


"Como o nosso mercado de juro voltou a ser o mais atraente do mundo, vai aumentar a entrada (de dólares)", disse Arruda.


A alta da Selic na última reunião do Comitê de Política Monetária elevou ainda mais o diferencial entre as taxas de juros praticadas interna externamente, o que favorece as operações de arbitragem.


Segundo um player do mercado, que preferiu não ser identificado, nesta terça-feira, o dólar foi pressionado por uma operação de entrada de grande porte de um rede varejista.


Os investidores seguem atentos aos números de inflação para operar em cima das expectativas sobre o próximo movimento do Banco Central. Na manhã desta terça-feira, o BC divulgou que o mercado elevou, pela quarta semana consecutiva, a estimativa para a inflação neste ano e manteve sua previsão para a Selic.


No início da última hora de negócios, o BC realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A autoridade monetária definiu a taxa de corte a R$ 1,6575.


(Por Fabio Gehrke; edição de Alexandre Caverni)

domingo, 20 de abril de 2008

Muito além das metas

18/04/2008 15:40:25

Luiz Antonio Cintra

Crítico do sistema de metas de inflação e da desregulamentação econômica, Arestis vê nesse conjunto de idéias as principais causas da atual crise financeira internacional, made in USA. “A liberalização tem uma ampla dose de responsabilidade sobre a atual crise financeira e essas seguidas crises desde 1970”, avalia. 

Na semana passada, Arestis foi ao Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), participar do 1º Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira. Lançada na sexta-feira 18, a associação conta com uma agenda de debates e a pretensão de atuar politicamente, numa rota alternativa à ortodoxia econômica, bem ao estilo do pensador inglês. 

CartaCapital: O senhor considera que a atual crise financeira internacional resulta da desregulamentação dos mercados financeiros ocorrida nas últimas três décadas? 
Philip Arestis:
 Sim, a resposta é um grande sim. Especialmente a partir dos anos 70 e 80, houve uma enorme liberalização financeira. Nesse mesmo período, entretanto, tivemos muitas crises. Vários artigos foram publicados nesses anos demonstrando que essas crises não encontram paralelo na história mundial. Elas são mais freqüentes e mais profundas do que as anteriores ao processo de desregulamentação. Por isso as crises mais recentes, que redundaram na crise de crédito de agosto de 2007, podem ser interpretadas como parte desse processo de liberalização iniciado nos anos 70. Mas a liberalização não é a única explicação. Acredito que a origem também está na política monetária baseada nas metas de inflação. Essa política começa com o reconhecimento, por parte das autoridades monetárias, de que a inflação é essencialmente um fenômeno monetário. Nessa perspectiva, considera-se que a estabilidade dos preços é de longe o mais importante objetivo a ser alcançado. 

CC: E qual a razão disso? 
PA:
 Quando se atinge a estabilidade dos preços, uma série de outras coisas a acompanharia. A economia teria a longo prazo estabilidade de renda, e, por isso, seria de esperar elevados índices de crescimento econômico. Portanto, para alcançar a estabilidade de preços e enfrentar a inflação, a política monetária teria de se concentrar essencialmente nas taxas de juro. No passado, a estabilidade de preços seria alcançada por meio da administração do estoque de dinheiro. Houve tentativas nesse sentido na Inglaterra e nos EUA, entre o final dos anos 70 e início dos 80, no Chile, Israel e muitos outros países. 

CC: E deram algum resultado? 
PA:
 Todas elas falharam. Falharam por uma série de razões. Acredito que uma das razões mais relevantes é a seguinte: se você vai administrar os preços por meio do estoque de dinheiro, tem de ser capaz de controlar seu estoque de dinheiro. Ou seja, teria de ser uma variável exógena. Mas as pessoas descobriram que o estoque de dinheiro é uma variável endógena, o que significa dizer que as autoridades monetárias encontraram muita dificuldade para controlá-lo. Se você não pode controlar, como poderá manipular essa variável? O segundo ponto é o seguinte: quando você tenta controlar o estoque de dinheiro e ele encontra meios de se esconder, as autoridades monetárias têm de ser capazes de avaliar de que modo essas mudanças vão afetar a inflação. No jargão econômico, dizemos que as autoridades precisam estar seguras da estabilidade da demanda por dinheiro. 
Voltando à sua primeira questão: com a liberalização financeira e as inovações ocorridas nos mercados, a demanda por dinheiro torna-se muito instável. Então as pessoas pensaram o seguinte: se não podemos controlar a inflação por meio do estoque de dinheiro, por que não controlamos por meio da taxa de juro? Então passaram a estabelecer uma relação direta entre alterações nas taxas de juro e inflação. A longo prazo, mudanças nas taxas de juro afetarão apenas as taxas de inflação. Essa é a perspectiva do Banco da Inglaterra, do BC do Brasil e de muitos outros países. 
Na estrutura teórica do sistema de metas de inflação há o pressuposto da transversalidade. Isso significa que os agentes econômicos nunca irão renegar suas dívidas, sempre irão honrá-las. Mas foi isso o que aconteceu na crise das hipotecas nos EUA, quando muitas pessoas simplesmente disseram que não iriam pagar suas dívidas. No paradigma teórico que o BC da Inglaterra e o do Brasil utilizam, não é preciso se preocupar com o sistema bancário e, por conta disso, os agregados monetários saem de cena. Já o Banco Central Europeu acredita nos agregados monetários. 
Desde março de 2000 até 2005, os principais bancos centrais reduziram vigorosamente suas taxas de juro, praticamente a zero. Em seguida, aumentaram para 5,25% ao ano até agosto de 2007, no caso do Federal Reserve. E agora temos 2,25% ao ano, em um período de seis ou sete meses. 

CC: Essa flutuação foi negativa? 
PA:
 O resultado dessa enorme flutuação das taxas de juro foi a criação de um montante muito grande de dívida no sistema, o que certamente é o caso da Inglaterra, é o caso dos EUA e acredito que o Brasil está indo na mesma direção. Essas dívidas enormes, quando se tem uma flutuação dos juros, pode potencialmente criar sérios problemas. E um desses problemas foi exatamente a crise dos empréstimos subprime nos EUA, que entrou em colapso, muitas pessoas perderam suas casas e agora estamos no meio de uma crise de crédito. E acredito que ainda não vimos o final dessa história. Ou seja, a liberalização financeira tem sim uma ampla dose de responsabilidade sobre a atual crise financeira, essas seguidas crises financeiras desde 1970 e é provável que tenhamos outras por causa desse paradigma da política monetária. 

CC: Como mudar essa situação? 
PA:
 Na Inglaterra, na terça-feira 15, o primeiro-ministro Gordon Brown encontrou-se com um grupo de banqueiros em seu escritório para tentar convencê-los a reduzir suas taxas de juro ligadas a empréstimos imobiliários. E isso para tentar minorar os problemas do mercado de hipotecas. Todos os formuladores de política monetária esperavam que essas taxas de juro caíssem, mas elas se mantêm elevadas. O sistema não parece funcionar. Então o que considero necessário é procurarmos novas idéias para lidar com a política monetária. E talvez alterar as taxas de juro não seja o melhor modo de administrar a economia. Quando existem vários objetivos para a política econômica, e tenta-se atingir esses objetivos apenas com as taxas de juro, sabemos que não vai funcionar. Precisamos olhar para a política fiscal, em coordenação com a política monetária. E com maior atenção para os arranjos institucionais. 

CC: Em que sentido as idéias de Keynes podem contribuir nesse debate? 
PA:
 As minhas sugestões são, em certo sentido, muito keynesianas. É preciso renovar o modo de conduzir a política econômica. A política fiscal é muito importante. Enquanto no sistema de metas de inflação a política fiscal é completamente desvalorizada e a política monetária é supervalorizada. Acredito que é preciso encontrar um balanço mais adequado. Não tenho nada contra nenhuma das duas políticas, mas é preciso que haja uma melhor coordenação entre ambas. E me parece que essa é uma postura muito keynesiana.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=7&i=716

Risco Brasil recua 0,43% e fecha a sexta-feira aos 229 pontos

SÃO PAULO - Considerado um dos principais termômetros da confiança dos investidores na economia brasileira, o EMBI+ Brasil, calculado pelo Banco JP Morgan Chase, terminou a sexta-feira aos 229 pontos, com ligeira queda de 0,43% perante os 230 pontos do fechamento de quinta. 

No mercado secundário de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 era negociado a 135,313% do seu valor de face, com queda de 0,13%. O segundo papel mais representativo do índice do JP Morgan, o Global 18 ou A-Bond (Amortizing Bond ou Bônus de Amortização), marcava 112,875%, com baixa de 0,27%.

Sobre o EMBI + Brasil

O Emerging Markets Bond Index - Brasil é um índice que reflete o comportamento dos títulos da dívida externa brasileira. Corresponde à média ponderada dos prêmios pagos por esses títulos em relação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos, tido como o país mais solvente do mundo, de risco praticamente nulo. 

O indicador mensura o excedente que se paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do governo norte-americano. Significa dizer que a cada 100 pontos expressos pelo risco Brasil, os títulos do país pagam uma sobretaxa de 1% sobre os papéis dos EUA. 

Basicamente, o mercado usa o EMBI+ para medir a capacidade de um país honrar os seus compromissos financeiros. A interpretação dos investidores é de que quanto maior a pontuação do indicador de risco, mais perigoso fica aplicar no país. Assim, para atrair capital estrangeiro, o governo tido como " arriscado " deve oferecer altas taxas de juros para convencer os investidores externos a financiar sua dívida - ao que se chama prêmio pelo risco. 

(Valor Online, com agências internacionais)

Fonte: http://www.valoreconomico.com.br/valoronline/Geral/financas/Risco+Brasil+recua+043+e+fecha+a+sexta-feira+aos+229+pontos,08204,,23,4889596.html

Contratos futuros de dólar fecham em alta na BM & F; Ptax encerra a R$ 1,6693

SÃO PAULO - Os contratos futuros indexados ao dólar negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) fecharam o pregão da sexta-feira em alta. O ativo com entrega em maio próximo - o mais líquido - subiu 0,75%, negociado a R$ 1,673. 

O vencimento de junho também avançou 0,75%, para R$ 1,683. No contrato para julho, a moeda foi apontada a R$ 1,695, com acréscimo de 0,74%.  No total, foram negociados 308.880 contratos cambiais. O giro financeiro foi de R$ 25,897 bilhões (US$ 15,514 bilhões). Ontem foram transacionados 349.987 contratos, que giraram R$ 29,162 bilhões (US$ 17,58 bilhões).  No mercado comercial à vista, o dólar comercial encerrou negociado a R$ 1,668 na compra e R$ 1,670 na venda, com alta de 0,78%. Na roda de dólar " pronto " da BM & F, a cotação teve alta de 0,66% em relação à sessão de ontem, para R$ 1,668. A taxa Ptax - média das cotações do dólar apurada pelo Banco Central e ponderada pelo volume de negócios - terminou a R$ 1,6685 na compra e R$ 1,6693 na venda, com alta de 0,63% perante o último fechamento.  
Fonte: Valor Online (http://www.valoreconomico.com.br/valoronline/Geral/financas/cambio/Contratos+futuros+de+dolar+fecham+em+alta+na+BM++F+Ptax+encerra+a+R$+16693,08204,,29,4889556.html)

sábado, 19 de abril de 2008

Citigroup anuncia prejuízo de US$ 5 bi no primeiro trimestre

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da Folha Online

O Citigroup, o maior banco dos Estados Unidos, anunciou nesta sexta-feira que teve prejuízo de US$ 5,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano, um resultado um pouco pior do que o esperado pelos analistas.

O fraco desempenho é resultado direto das perdas com a crise do crédito imobiliário de alto risco ("subprime") no país. O banco admitiu perda de cerca de US$ 12 bilhões com os papéis atrelados aos créditos subprime e outros que foram atingidos pela atual crise creditícia.

Entenda a crise que atinge a economia dos EUA

O prejuízo por ação ficou em US$ 1,02, enquanto que os analistas de mercado esperavam prejuízo de US$ 0,95 por ação.

Porém, o resultado foi melhor do que o banco teve no quarto trimestre do ano passado, quando anunciou prejuízo de cerca de US$ 10 bilhões.

Dos US$ 12 bilhões que perdeu com a crise creditícia, foram US$ 6 bilhões com papéis subprime e outros US$ 6 bilhões com outros tipos de papéis, incluindo derivativos e títulos com "auction-rate" (juros definidos em leilão). Também estimou uma perda de US$ 3,1 bilhões com o aumento dos custos para liberação de crédito para consumidores.

Somando o primeiro trimestre, o Citigroup agora tem perda acumulada de US$ 36 bilhões com a crise creditícia.

Neste mesmo período, o Citigroup levantou cerca de US$ 30 bilhões através da venda de ativos e de ações para investidores --em especial fundos soberanos de países asiáticos. Também está cortando custos, usando como armas a demissão de empregados (espera-se corte de até 4,2 mil pessoas) e a reorganização das divisões do banco.

Em semana mais tranqüila, foco estará com resultados nos EUA e ata do Copom

Por: Rodolfo Cirne Amstalden
18/04/08 - 20h45InfoMoney

SÃO PAULO - Depois de uma série de indicadores sobre a economia dos EUA, a agenda para as próximas sessões promete ser relativamente tranqüila. "É uma semana mais calma, sem dúvida", avalia Fabiana D'Atri, economista da Mauá Investimentos.

Contudo, a temporada de resultados corporativos norte-americanos continuará desempenhando o papel de driver para os mercados. Para Eduardo Machado,
analista da corretora Amaril Franklin, "os balanços lá fora serão importantes para ditar o rumo".

Até agora, os bancos dos EUA vêm anunciando dados bastante ruins sob bases históricas, mas próximos às expectativas. E algumas representantes de outros setores conseguiram até mesmo superar o consenso, como é o caso do Google. Nada mal.

Assim dá para apostar com otimismo. "Acho que a tendência para as bolsas é de alta mesmo no curto prazo", opina Eduardo Machado. Especialmente diante de uma semana mais amena, com feriado na segunda-feira e menos sustos prováveis nos pregões subseqüentes.

Ata do Copom e inflação

Para o Brasil, podemos esperar os
investidores "muito focados na ata do Copom", descreve Fabiana. "Vamos ver se o Comitê abre um pouco o que disse na quarta-feira passada". Talvez com um sinal mais preciso sobre a chance de aumentos complementares da Selic.

Na visão do analista da Amaril Franklin, "só essa elevação do juro básico não será suficiente para conter a força dos preços, sobretudo dos alimentos". Algo óbvio para quem acompanha os índices de inflação.

A economista da Mauá também lembra do IPCA-15 de abril, programado para sexta-feira. "O mercado já espera que esse indicador siga mostrando pressões inflacionárias". Um incômodo que se apresenta rotineiro nesta e em próximas sessões.


Fonte: http://web.infomoney.com.br//templates/news/view.asp?codigo=1079894&path=/investimentos/

Preços devem garantir superávit expressivo em 2008

Nem mesmo o forte crescimento das importações será suficiente para reduzir montante
O primeiro trimestre de 2008 foi caracterizado por um forte aumento das importações, seja pelo sucessivo crescimento do quantum importado quanto pelo impacto mais recente do aumento de preços de itens como petróleo e combustível, trigo e fertilizantes.

Contudo, o ganho de preços pelo lado das exportações (acompanhando os preços de commodities) também tem sido considerável, o que deverá garantir um saldo comercial robusto em 2008.

De acordo com dados da equipe de economistas do banco Bradesco, os preços de exportação mostram ganhos de 13,5% no período de 12 meses terminados em março. Os valores foram influenciados pelo aumento dos preços das exportações de produtos básicos, sendo que os destaques podem ser divididos em dois grupos: o alimentício e o de commodities metálicas e energéticas.

No caso dos produtos alimentícios, o principal destaque fica com a soja, considerando sua importância na pauta de exportação e seu aumento de preço no mercado internacional desde meados de 2007, o que tem trazido efeitos favoráveis para a balança comercial.

Junto com o café, o preço das carnes in-natura – fortemente atrelado aos preços internacionais de grãos – acompanha o movimento de ganhos da soja, ainda que em uma escala menor. Contudo, a perspectiva desses preços permanece pressionada, já que estes reagem a demanda global gerada pela mudança de hábitos alimentares nos países emergentes onde existem ganhos de renda e processos de urbanização.

Embora o processo de avanço dos preços mostre uma maior preocupação no âmbito internacional, os economistas consideram “difícil” visualizar no médio prazo uma reversão considerável na tendência desses preços, de forma a comprometer as exportações. Segundo a instituição, o quadro mais razoável é a manutenção dos ganhos em termos de troca pela posição do país em termos de produção agropecuária.

Por outro lado, existe dentro dos itens básicos o aumento dos preços do grupo de commodities metálicas e energéticas. Segundo o banco, os aumentos dos preços de petróleo já estão sendo refletidos nos dados de preços de exportação, ao passo que os preços de minério de ferro deverão ser reajustados apenas a partir deste mês, por serem definidos por contrato.

Nesse sentido, o reajuste obtido de, no mínimo, 65%, deverá levar a um aumento médio em 2008 como um todo de 50%. Apenas o minério de ferro deverá responder por aproximadamente 3,3 pontos percentuais de acréscimo do preço da exportação para este ano.

Considerando o cálculo do carry-over (carregamento estatístico) do preço médio no primeiro trimestre, a média do preço de exportação é cerca de 13,8% acima ante o ano passado. Com a expectativa de preços gerada pelo minério de ferro, o viés de alta para o preço chega a 15%. Desta forma, os ganhos de preços de exportação deverão assegurar um saldo comercial em torno de US$ 27,3 bilhões neste ano.

Tatiane Correia

Fonte: http://www.dinheirovivo.com.br/Content.aspx?Id=11888

Os Estados Unidos provocam "crack" financeiro global

APOTEOSE E NAUFRÁGIO DA NOVA ECONOMIA
Os Estados Unidos provocam "crack" financeiro global

A economia mundial está sob controle de umas 200 corporações globais que controlam 25% do PIB mundial. Max Weber teceu cogitações sobre a superioridade do capitalismo a partir dos seus supostos atributos éticos, como a frugalidade, o ascetismo, o sossego. Tal capitalismo, se é que existiu alguma vez, evidentemente não existe mais.

René Báez - Alai Amlatina

As emblemáticas falências das gigantes Enron e WorldCom e as estrondosas quedas da Bolsa de Nova York, em 2000, ressuscitaram o fantasma da Grande Depressão dos anos 1930. Do seu lado, os descalabros monetário-financeiros no Mercosul no início desta década — mal amenizados pelas blindagens do FMI— vieram confirmar a presunção de que o capitalismo global tinha evoluído para um caso clínico. Os presságios sombrios multiplicaram-se inclusive entre os apologistas do establishment. O que estava por trás desses novos espasmos do capitalismo, que o atingiam tanto em seus núcleos centrais como na periferia?

Vamos abordar essa questão a partir da ótica da Economia Política.

Caracteriza o regime de produção capitalista seu desigual desenvolvimento no espaço (países que crescem e países que ficam estancados e, inclusive, retrocedem) e no tempo (ciclos com suas fases de apogeu, crise, recessão e reanimação). As crises constituem o momento crucial desse sistema econômico-social, uma vez que põem à prova sua capacidade de reprodução. E, inclusive, de uma perspectiva temporal mais ampla, interpelam sobre a validade do multissecular paradigma da Modernidade e do Progresso. Por que sobrevem uma crise? As crises capitalistas —independente das suas circunstâncias particulares e aleatórias— obedecem sempre à sua contradição essencial, ou seja, ao desajuste entre o valor das mercadorias produzidas e o volume da demanda por essas mercadorias. Dito em outros termos, revelam o desequilíbrio entre o caráter social da produção e a forma privada de apropriação dos frutos da atividade econômica. Este ponto de vista, mais do que expressar uma anacrônica visão teórica, reflete a realidade mais crua desta virada de século. Do que estamos falando?

Catapultado por seus grandes triunfos políticos (queda do “socialismo real”, ter cooptado o movimento operário das metrópoles e o enfraquecimento transitório do nacionalismo terceiro-mundista) e pelos espetaculares avanços tecnológicos, especialmente nos campos da informática e das comunicações —constitutivos da denominada Nova Economia—, o capitalismo central viveu uma nova apoteose na década dos anos 1990, montado sobre um impetuoso processo de concentração e centralização de capital, exacerbado pelo crescimento exponencial do capital financeiro especulativo. Dialeticamente, essa euforia do sistema teria incubado a crise do início desta década.

Explicando.

Como conseqüência do mencionado processo de concentração, a economia mundial está, atualmente, sob controle de umas 200 corporações globais —encabeçadas por companhias como ExxonMobil, General Motors, Ford Motor, DaimlerCrysler— que controlam 25% do PIB mundial e formam o "complexo totalitário" de que fala F. Clairmot. Este núcleo duro do capitalismo global se robusteceu nos anos 1990 brandindo um liberalismo econômico de uma só via; ou seja, avassalando países e continentes, desregulamentando as economias "anfitriãs", privatizando empresas estatais e pára-estatais, desestruturando sistemas de proteção trabalhista, arruinando competidores locais, promovendo blocos de integração assimétrica (do tipo TLCAN e ALCA). E, é claro, — segundo já foi dito — por meio de operações especulativas adiantadas em escala planetária.

Por que a bonança da economia estadunidense — a locomotiva do capitalismo global— começou a desandar a partir do ano 2000, disseminando as turbulências financeiras, a queda livre do dólar, a recessão, a relocalização dos investimentos, o desemprego e o ceticismo tanto no centro quanto na periferia? Que fatores concorreram para esgotar a fase expansiva dos Estados Unidos, baseada na famosa Nova Economia?

Além da queda da demanda solvente, a inflexão do crescimento no início desta década precisa ser explicada pela progressiva perda de competitividade dos Estados Unidos com respeito à Europa, Japão e China, tendência que, nos últimos anos, tem se traduzido em déficits comerciais da ordem dos 400-600 bilhões de dólares e em uma espiral de endividamento de Washington, provocando devastadores efeitos nos índices de emprego e de renda na metrópole. Da mesma maneira, um fator de contração da economia dessa potência mundial deve ser localizado na orientação capital intensiva das tecnologias de ponta, orientação que tem retroalimentado a queda da demanda e que gerou um desemprego de características estruturais e não apenas conjuntural.

A extrapolação destas condições para a economia internacional estaria na base da fenda de dimensões siderais entre a opulência e a miséria em escala mundial. Segundo as Nações Unidas, três "homens-corporação" detêm uma riqueza que supera o PIB total dos 48 países mais pobres (600 milhões de habitantes). Como poderia se reproduzir normalmente um capitalismo que miniaturiza o mercado a esse ponto?

O colapso da “financeirização”

O aspecto mais perceptível da crise financeira comentada foram os "cracks" bursáteis, popularizados com a denominação de "estouros" da bolha financeira. Além do mencionado processo de contração da demanda efetiva, quais foram os fatores que determinaram as debacles financeiras? Por que murchou o capital financeiro?

Para começar, a “financeirização” alude a um processo de crescimento exponencial do capital fictício. Maurice Allais, prêmio Nobel de Economia, calculou que os movimentos internacionais de capital especulativo superam em 40 vezes a liquidez originada na compra e venda de bens e serviços. Por sua vez, José Manuel Naredo, co-autor do livro Pensamento crítico vs. pensamento único (Debate, l998), lembra que o volume das reservas monetárias em poder dos governos corresponde apenas ao que é negociado diariamente no mercado de divisas, aproximadamente 1,8 trilhão de dólares. Como foi possível edificar essa colossal "economia de papel"?

A criação de capital fictício é uma tendência inata do regime capitalista. Um economista alemão do século XIX explicou-a associada à alienação que provoca esse regime produtivo e que se traduz em que os homens deixam de se reconhecer nos objetos que produzem, fazendo com que a troca assuma formas fantasmagóricas. Atualmente, esse "fetichismo da mercadoria" chegou a níveis surrealistas sob a batuta das corporações globais e dos bancos de investimento e cavalgando no descomunal crescimento dos mercados cambiais, intimamente relacionados com os juros de mercado. Como era de se esperar, a expansão destes mercados, fonte de lucros extraordinários para o grande capital, deu origem a uma variedade de "produtos" financeiros, também conhecidos como "derivados" —futuros, swaps, opções— e à conseguinte expansão da famosa bolha de capital fictício. Por que estourou a bolha financeira na conjuntura 2000-2001?

No mínimo pelas duas seguintes razões:

Em primeiro lugar, porque a “financeirização” ocultava a abissal dissociação entre capital financeiro e capital produtivo, o que determinou que, em qualquer momento, os títulos fiduciários possam perder seu valor de troca e transformar-se em papéis para a lixeira. É justamente o que constataram amargamente no início da década milhões de investidores estadunidenses (e de outros países). Como explicar essa espetacular queda dos valores bursáteis? Resposta: devido à confrontação que cedo ou tarde ocorre entre economia financeira e economia real. "A pretensão de esquivar-se das causas estruturais da crise — está escrito em um documento — por meio do descolamento das bolsas de valores promovido na década de 1990 nos EUA chegou ao seu limite. Na verdade, durante essa década o valor das ações cresceu 1.000%, mas a economia real cresceu apenas 50%". (Declaração do Comitê Equatoriano contra a ALCA, 2002).

Uma segunda causa está relacionada com o fato de que a hipertrofia do setor financeiro coloca as decisões mais importantes da vida econômica de continentes e nações em mãos de um grupo numericamente insignificante de pessoas, cujos critérios são definidos à margem dos interesses dos grandes contingentes humanos e dos vitais equilíbrios ecológicos, ou seja, dos componentes da economia real.

A "falha" ética do sistema

O "crack" financeiro nos Estados Unidos, incubado pela Nova Economia, pode ser explicado pelo esgotamento da estratégia da Administração Clinton encaminhada a disfarçar as pressões recessivas estruturais do ciclo através do expediente de "cevar" a bolha bursátil. Esta resposta, contudo, não é suficiente para compreender a complexidade da crise do capitalismo abstrato e cibernético e entrever suas implicações. Qual é a causa íntima dos desastres financeiros?

R. Garaudy antecipou uma explicação do fenômeno em seu ensaio publicado no livro coletivo A Nova Ordem Mundial (1996), onde coloca a tese de que o nosso tempo descreve uma luta entre o monoteísmo sórdido do mercado e os homens que acreditam que a vida tem um sentido. Mais recentemente, o citado F. Clairmont ensaiou uma teoria similar. "A religião do mercado — diz ele — continua sendo a livre circulação de capitais, mas começa a se materializar uma nova mensagem cada vez mais concreta e perigosa: é preciso fazer de tudo para conseguir "o maior valor para o acionista", por meio do aumento do valor das ações".

Traduzido para uma linguagem comum, isto não significa outra coisa a não ser que — na lógica desta virada de século do capitalismo e da modernidade — não são os balanços de perdas e lucros os que determinam o valor dos títulos. Atualmente, as cotações bursáteis chegaram a ser estabelecidas a partir de estimativas (especulações) sobre a situação futura de empresas reais ou imaginárias. Qual é o calcanhar de Aquiles moral deste Mundo Feliz?

Samir Amin visualizou a bolha fiduciária como uma patologia equiparável ao câncer, doença que —segundo se conhece— multiplica de maneira descontrolada as células em um processo que leva à morte do paciente. Qual é o câncer do capitalismo contemporâneo? Max Weber teceu cogitações sobre a superioridade do capitalismo a partir dos seus supostos atributos éticos, como a frugalidade, o ascetismo, o sossego. Tal capitalismo, se é que existiu alguma vez, evidentemente não existe mais. Atualmente, a "fria astúcia" rege as relações comerciais, e inclusive passou a ser um comportamento normal. Ceder de qualquer maneira diante de um opositor ou de um concorrente é considerado um erro imperdoável para aquele que tem uma vantagem quanto a posição, poder ou riqueza". (A. Solzhenitsyn, Fim de Século, 1996). As elites econômicas e políticas mundiais —inclusive seus congêneres do Sul— abraçaram, freqüentemente sem saber disso, o fundamentalismo da modernidade cifrado na sentença de Bentham, para quem "todo valor é um valor mercantil".

O horizonte desse axioma utilitarista é temível e não apenas por causa dos efeitos derivados das tormentas financeiras. Se as ações humanas vão ter como bússola exclusiva o sucesso econômico, vamos poder entender que tudo está permitido. Este, com certeza, foi o argumento esgrimido pelos sacerdotes da “contabilidade criativa”, cujas “façanhas” acabaram deixando à vista os pés de barro da Nova Economia.

Nos dias que correm, e depois de uma fraca e errática recuperação da economia norte-americana, sustentada no keynesianismo de guerra —ocupação do Afeganistão e do Iraque, Plano Colômbia, etc.— e do fabricado boom imobiliário obstinadamente instrumentalizados pelo governo de George W. Bush, a queda do Bear Stearns e as dificuldades do CitiGroup —o maior banco do mundo— são o prelúdio de graves tempestades não só para a potência unipolar, mas para o planeta inteiro.

"A peste já está aqui, o que fazer quando chega a peste?", diria o poeta Homero.


* René Báez, economista equatoriano, é professor universitário, Prêmio Nacional de Economia e membro da Internacional Writers Association.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14936&editoria_id=7

Estados Unidos: O pior da crise está por vir

DÍVIDA E RESTRIÇÃO DE CRÉDITO
Estados Unidos: O pior da crise está por vir

Os dois maiores temores atuais são a corrida bancária e uma queda ainda mais pronunciada do dólar. O montante da moeda em circulação nos Estados Unidos é mantido em segredo, sinal seguro de está sendo impresso dinheiro dia e noite e que cedo ou tarde a inflação vai disparar.

Johan Galtung*

TÓQUIO (IPS) – Dia a dia recebemos notícias que soam velhas sobre a crise econômica. E, como é habitual, essas notícias se referem à crise para os ricos e à "economia" como um sistema, mas nunca à miséria no fundo desse sistema. A esta crise dão nomes como “restrições ao crédito”, “falta de liquidez” ou “crise de investidores’. Naturalmente existe uma restrição de crédito e não há dinheiro disponível porque as pessoas da área financeira sabem melhor que ninguém quanto se tornou instável a economia e de que modo as dívidas, incluindo as hipotecas, são empacotadas, vendidas e revendidas até que a dívida original se torne irreconhecível.

Cada credor acrescenta novas condições, freqüentemente incluindo muito pronunciados aumentos de juros depois das fáceis condições iniciais dadas para atrair os crédulos. Além disso, os financeiros sabem que as instituições que estão emitindo certificados de solvência são de propriedade das próprias instituições financeiras as quais certificam, fazendo, assim, com que seus certificados AAA, etc, não tenham valor algum. Com esses certificados atraem crédulos municípios de todas as partes do mundo para a obtenção de créditos que depois lhe resultarão devastadores.

Por que fazem tudo isto? Por que são ardilosos e ambiciosos? Essa é parte da verdade, mas, também procuram garantir seus próprios interesses antes que venha a crise verdadeira. Por boas razões: as instituições financeiras já estão quebrando, os juros das dívidas não estão sendo pagos e a cadeia de instrumentos financeiros (incluindo os seguros) também está desmoronando. Então, por que não tentar obter algum reembolso enquanto existe algum dinheiro e muito poucas normas?Porém, alguns devedores também estão trapaceando e fazendo malabarismo dando informações de valores inexistentes para seus empréstimos com a esperança de poder pagá-los antes que subam as taxas de juros, por exemplo, usando cartões de credito. Os dois maiores temores atuais são a corrida bancária e uma queda ainda mais pronunciada do dólar. Vejamos o caso do Banco Northern Rock, da Inglaterra. As pessoas fizeram fila pare retirar seu dinheiro, confiando mais no dinheiro no bolso do que deixando-o depositado no banco, que, portanto, teve de ser objeto de um resgate financeiro.

O mesmo ocoreu nos Estados Unidos, com fundos privados ou federais, com a tentativa de cortar pela raiz uma profecia que por sua própria natureza contribui para não se concretizar. Não se pode saber se terão êxito, ou não. Deve-se dizer que a corrida bancária dos anos 30, não a crise econômica de 1929, esteve na raiz da depressão. O pior está por vir. O dinheiro retirado dos bancos pode se desvalorizar drasticamente, pelo menos por três razões:

Primeiro, o montante da moeda em circulação nos Estados Unidos é mantido em segredo, sinal seguro de está sendo impresso dinheiro dia e noite e que cedo ou tarde a inflação vai disparar.

Segundo: o custo da guerra, agora estimado em US$ 3 bilhões, é uma porção considerável da riqueza dos Estados Unidos. Mas, ainda mais importante é o pagamento dos juros dessa colossal dívida, contraída porque os Estados Unidos não querem que os contribuintes paguem diretamente o custo da guerra.

Terceiro. Essa dívida é sustentada por bônus norte-americanos em mãos de estrangeiros que estão ansiosos para se livrarem deles. Assim, o mercado se verá inundado de dólares que se agregarão aos recém-impressos, o que depreciará os bônus, os dólares e os Estados Unidos.

As exportações podem se beneficiar se a redução de preços for embolsada pelo comprador e não pelo comerciante. Mas, quanto atraente são atualmente os bens norte-americanos, especialmente os serviços, a qualquer custo? Em sua maioria, o que está subjacente nisto é a “especulação”. O que é isso. Uma expressão mais de uma economia enferma que leva a riqueza para os ricos, de modo que as pessoas morrem abaixo e nadam na liquidez acima. Eles usam a liquidez para obter mais dinheiro, mas, já que a economia real é lenta giram a economia financeira em bens para comprar e vender, não para o consumo, que valorizam rapidamente. Com essa grande liquidez extraída criam uma bolha destinada a se desfazer. Assim foi há alguns anos com as empresas.com e agora com as moradias.

Entretanto, há uma diferença. A moradia é uma necessidade básica, enquanto as empresas.com o são apenas indiretamente. As pessoas colocaram dinheiro na moradia em parte para viver, em parte para especular, apenas para ver como a bolha se desfaz. Elas perdem dinheiro, a casa, vivem com parentes ou em traillers (os bancos só perdem dinheiro) e em todo os Estados Unidos há colcoados diantes de seus antigos lares cartazes dizendo “Leilão” ou “Abertura de julgamento hipotecário”.

E o que ocorre? Os bancos que foram, inclusive, criminosos são recompensados com resgates financeiros, enquanto as pessoas, a maior parte delas honesta, são castigadas pela má ação dos bancos. Isto é abominável. Todo dinheiro deveria ser usado pelo menos para amortizar as hipotecas, beneficiando, dessa forma, tanto devedores quanto credores.

* Johan Galtung, professor de Estudos sobre a Paz e fundador da Transcend, rede global sobre paz e desenvolvimento.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14941

JORNALISTAS ECONÔMICOS (OU NÃO)

A partir de agora nós iremos postar neste blog notícias e/ou análises sobre a movimentação econômica no Brasil e no mundo. Buscaremos inserir notícias sobre a crise do "subprime" nos EUA e seus reflexos no mercado de commodities, na economia chinesa, na economia brasileira - e o que mais acharmos relevante.

Quem quiser postar uma notícia e ainda não for autor, pode deixar um comentário.

Lembrando que é sempre bom colocar ao final da matéria/coluna a fonte.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O primeiro ano de um USPeano

Companheiros de USP, de jornalismo, de vestiba, de leituras pentelhas.
Nosso primeiro ano se foi!
Fizemos muitas amizades, conheçemo pencas de pessoas, blá, blá, blá!
Foi tudo muito bom!
Agora vem mais! cada vez mais prática do jornalismo!
Teremos mais oportunidades de colocar aulas do Ciro e da Mayra em prática, e por que não da Mitika? (não, isso não é brincadeira)
Depois de um tempo não teremos mais férias e fins de semana, vai ser tudo uma coisa só, corrida e deliciosa (esperamos que sim)!
Tudo bem, talvez seja exagero..
Enfim! Aqui vai meu voto de que vocês sejam cada vez mais! jornalistas! pessoas que eu tenha orgulho de dizer que conheci!
Enfim.. não quero ser muito meigo...
Sorte aos que tentaram entrar nesse curso esse ano, eles realmente não sabem o que espera por eles!
Beijos e abraços!

P.S.: Começarei a usar esse blog para publicar coisas!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O que diz David

A Imprensa é poderosa. Qualquer um que já assistiu ao filme O Quarto Poder sabe disto. Caso me perguntem se é tão forte assim serei obrigado a admitir: não sei. Às vezes parece que a Imprensa rege o mundo. Às vezes parece que o mundo a rege. Mas o fato inegável é que ela possui uma poderosa influência na sociedade, capaz de mudar os rumos do planeta para o bem ou para o mal - o que quer que isto signifique. E para aqueles sonhadores que querem mudar o mundo, lembrem-se de Elis Regina, "Viver é melhor do que sonhar", e é para isto que eu estou aqui. Para viver o jornalismo, e fazer o que for necessário para não ser mais um sonhador. Como já disse Clóvis Rossi, o jornalismo é uma constante batalha pelo coração e mente dos seus alvos telespectadores, ouvintes ou leitores. AO COMBATE!